"Não vou dizer obrigado se você me quiser"
"E mais uma noite escura, cigarro na mão, tomando uma dose pura de obrigação"
"Eu vou te jogar no fogo do inferno"
É isso. Arsenal Vil não veio pintar o amor perfeito para as damas e para as Damas da Rua. Não dizem que tudo é lindo e a noite terá um amanhecer de romance.
Desconstrução, vieram para quebrar os pensamentos de ilusão e exaltar o prazer, que guarda em seu intimo um quê de melancolismo e rebeldia. Um mar de hedonismo e sacanagem, que acontecem quando papai e mamãe se trancam no quarto.
Acompanhei algumas apresentações desde o ínicio e fiquei surpresa com a evolução deles, o que culminou nas músicas que estão no MySpace.
Não sou nenhuma espécie de critica musical para dizer que "Arsenal, banda de Belém, bebe na fonte do blues e tem um quê de pós modernidade e blá blá blá". Esqueçam todos esses textos chatos que tentem definir a risca uma banda, tentarei definir o meu sentimento, espero que você ache o seu depois de ouvir.
No caso desses meninos a evolução a que me refiro é a confiança. Talento sempre tiveram, mas das últimas apresentações que vi pude perceber que o palco parece natural para eles, que interagem com o público como se estivessem tomando umas cervejas juntos, cada um com estilo próprio. Cada música, e principalmente tocada ao vivo, tem gosto de gozo, e dos bons.
"E os ratos no esgoto sagrando fumaça", interessante como a Arsenal consegue falar sobre a podridão das grandes cidades, levando os ouvintes para uma aventura imaginativa, onde um casal apaixonado percorre a cidade. Esse romance se dá n'um mundo real, onde as ruas são sujas, onde o sexo acontece. Quebrando a ideia de que o homem que ama verdadeiramente não pode pensar na sua amada como objeto sexual no contexto certo.
E é no contexto certo que eles conseguem falar da sexualidade, sem agredir o mundo feminino, mas sem as frescuras que se esperam no falar de amor. A voz rouca do vocalista, o baixo que chega devagar e manso, a guitarra que te leva a fazer guitarra imaginária e uma bateria louca, que parece estar prestes a quebrar os pratos.
Dias desses li no facebook alguém falando que não entendia como poderiam haver bandas de blues cantando em português, fiquei uns minutos refletindo sobre isso, e percebi que é uma bobagem pensar assim. Somos brasileiros, antes de aprender e cantar qualquer outro idioma que seja, temos que perceber a real face do português, complexo, rico, variado e com uma sonoridade que, faz favor, é muito linda.
Não sou contra bandas que criam em inglês, mas sou contra quem diz que rock não pode ser feito em português. Se a Arsenal Vil canta Blues Rock em português algumas pessoas entortam o biquinho, mas se o Iggy Pop grava Insensatez em inglês todo mundo lambe a cara dele né? (risos)
Falando em lamber, esse ar sujo da banda é de conquistar totalmente. Quero dançar, gritar, aprender a dirigir, entornar todas e amar muito a cada vez que ouço esses danados. Em Tua Mágoa eles dizem "Desprezo tuas velhas paixões, tua mágoa me fez crescer", é um chute no que te faz mal. O que quero chutar agora é o fato de saber que as pessoas ainda não conhecem Arsenal Vil, mas aposto que vão amar.
Resenha por Monique Malcher
(http://moniquemalcher.blogspot.com/)
Integrantes:
Caio Cruz (guitarra)
Raphael Guimarães (Voz)
Rafael Mansur (baixo)
Zé Pedro Gutierrez(Bateria)
E-mail: arsenalvil@gmail.com
Origem: Belém - pa (Brasil)